quarta-feira, 10 de setembro de 2008

La Roja


Assistir a uma partida das eliminatórias da copa aqui no Chile é muito diferente de assistir a um jogo da seleção brasileira no Brasil – a menos que seja a final da Copa do Mundo. Aqui sempre parece a final da Copa do Mundo!!! Os jogos da ‘Roja’, como é chamada a seleção chilena, são grandes eventos. As pessoas assistem com a familia ou junto a um grupo de amigos, fazem churrascos ou se reúnem no centro da cidade para acompanhar num telao estilo Times Square, depois vão para a Plaza Italia celebrar.

Minha primeira experiência com os jogos da Roja nas eliminatórias foi em novembro, quando o Chile jogou com o Uruguai, e por uma semana só se falava sobre isso nos noticiários. Era um adversario forte e um bom resultado seria importante. Fui convidada a assistir ao jogo na casa da familía de um amigo, em Valparaíso. Não recordo a ordem dos gols, mas ate perto do final estava 2 x 1 para o Chile, e o Uruguai empatou nos últimos minutos. E todos ficaram felizes com o resultado.

Os chilenos são bastante humildes quando se trata de futebol. Vários já vieram se justificar para mim, dizendo que gostam muito do esporte, apesar de não terem jogadores tão bons quanto os brasileiros, nem equipes de expressão internacional.

Por isso, o jogo Brasil x Chile pelas eliminatórias foi bastante aguardado. Pelo momento que o Brasil enfrentava, os chilenos realmente acreditavam que poderiam ganhar. Ou ao menos empatar. Ou perder por uma diferença pequena. Os três gols e o sambinha no Estadio Nacional magoou, mas também serviu de motivacao extra para o jogo seguinte, com a Colômbia.

(Pelos sites dos jornais brasileiros, dava pra perceber a diferença. No Brasil, a vitória foi tratada como uma obrigação, um dever cumprido).

O jogo dessa quarta, 10 de setembro, foi diferente. Vencer a Colômbia era importante, e a goleada de 4 x 0 deixou os torcedores, tanto os presentes ao estádio como nas ruas e bares, muito felizes. Minha roomate disse que amanha as pessoas vao sair para trabalhar e estudar contentes.

Ja o Brasil jogou num Engenhao vazio, sob vaias da torcida, e empatou com um time fraco. Nada de ingressos esgotados, nada de pessoas se reunindo em pracas para assistir...



Chile, por que não?

Desde que anunciei que ia me mudar para o Chile, a pergunta que mais fizeram foi: "Por que Chile?" E seria fácil dar uma resposta a la Priscilla e dizer "why not?", mas a verdade é que são muitas razes, e a idéia do blog é tratar um pouco delas. Relatar a vocês um pouco mais desse pais que comecei a estudar e me identificar há 12 anos, por causa de um trabalho escolar. E que depois da primeira visita que fiz, em novembro de 2007, me arrebatou por muitas razoes, mas principalmente pela personalidade. Um pais que tem humildade para assumir suas fraquezas, coragem para protestar as coisas que não lhe agradam, e orgulho de sua identidade.

O patriotismo aqui é muito forte, e contagia. Quando começamos a entender um pouco da historia, da resistência contra a colonização espanhola, a dureza e crueldade do golpe militar e da era Pinochet, é mais fácil compreender porque eles reclamam, protestam, vão as ruas e jogam bombas... eles sabem que hoje tem o poder de escolher seus governantes, e quando tomam decisões que não lhes agrada, eles mostram seu descontentamento.

A idéia é usar esse espaço para contar um pouco do passado e, principalmente, do presente desse país que nutre uma grande admiração pelo Brasil e pelos brasileiros, mas um sentimento que acaba não sendo reciproco, mais por desconhecimento do que por pura antipatia (como no caso da Argentina). Além disso, compartilhar com vocês - amigos, parentes e ilustres desconhecidos - um pouco dessa nova fase da minha vida.